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A Lenda de Alcobaça (parte II)  

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Com a voz fremente de alegria, Alcoa concordou.

Soou então a maior gargalhada dessa noite. A figura estranha diluiu-se no recanto da cabana e o vento voltou a soprar lá fora, com redobrada fúria. O rapaz guardou segredo de tão misteriosa visita. A ninguém contou o que lhe fora proposto. Baça notou que algo mudara, e interpelou-o:

- Alcoa, eu sei que as tuas colheitas têm decorrido maravilhosamente. Mas só as tuas, e isso eu não entendo. Todos se queixam, todos... Só tu tens tido sorte!

Ele riu um riso forte, que a impressionou. A rapariga estremeceu. Mas já ele lhe dizia adeus, afastando-se a passos largos. As colheitas chegaram ao fim. Alcoa não cabia em si de contente, tinham excedido todas as suas expectativas. Estava rico! Riquíssimo! Foi então que a estranha e misteriosa figura visita de tempos atrás voltou a fazer a sua aparição.

- Cá estou eu como prometi, podes casar quando quiseres. Mas primeiro assina este documento conforme prometeste. E com sangue... Este documento só poderá ser assinado com sangue... O teu sangue!

Alcoa suspirou.

- É bem pouco o que me pede em troca de tanto que me dá. Aqui tem a minha assinatura. A partir dessa noite, os negócios de Alcoa começaram a prosperar de um modo quase aflitivo de tão extraordinário que era. Os vizinhos começaram a olhar o rapaz com desconfiança e ficou decidido que um dos mais velhos fosse falar com Alcoa.

– Olha! rapaz! Venho falar-te em nome dos homens desta terra. Tu és ainda muito novo e inexperiente na vida, já o mesmo não acontece conosco. Somos velhos e sabemos alguma coisa. Pensamos que tu tens um pacto com o Demônio. Só assim se explica que as tuas terras estejam cada vez melhores enquanto as nossas parecem cada vez piores. Pois tem cuidado, Alcoa! Tem cuidado!

A fúria transtornou a expressão do jovem lavrador. Levantou o braço contra o velho, mas uma voz de mulher gritou o seu nome, suspendendo-lhe o gesto. Com voz tremente, Baça disse:

- Dizem que fizeste um pacto com o Demônio... E vendo-te como estás, desfigurado, acredito que é verdade. Tenho medo, Alcoa...Tenho medo!

O jovem gritou colérico:

- Se acreditas... Vai-te! Desaparece da minha vista!

Correndo como louca, a jovem Baça abandonou o noivo. Andou sem destino três dias e três noites. Chorando a sua desdita. A morte veio encontrá-la quando acabara de chorar a sua última lágrima. E conta a lenda que essas lágrimas reunidas se transformaram numa pequena ribeira, à qual foi dado o nome de Baça.

O jovem Alcoa caiu num desespero terrível quando soube da morte da sua amada. E diz-se que renegou por completo o pacto que fizera e jurou a Deus doar as suas terras a Santa Maria se conseguisse alcançar o perdão de Baça. Chorava Alcoa, sem cessar, a mágoa de ter sido ambicioso. Chorava de noite e dia. E tanto chorou que se transformou num rio: o rio Alcoa.

E nas noites luarentas, as águas do Alcoa murmuravam, quebrando o silêncio:
- Baça, meu amor. Perdoa-me! Peço-te por tudo que me perdoes! Baça, jurei dar as minhas terras a Santa Maria, se tu me perdoasses...

Pois numa dessas noites outra voz respondeu às lamentações e aos apelos do rio Alcoa.

- Sim... Já que tanto o desejas vou perdoar-te, para que estas terras sejam na verdade de Santa Maria, e tu possas remediar assim os teus erros passados. Vou juntar-me a ti, Alcoa!

E ali mesmo, a ribeira Baça se misturou com o rio Alcoa, desaguando no seu lado esquerdo, que é o lado do coração...

Desde esse instante, o rio Alcoa passou a denominar-se Alcobaça e todas essas terras ficaram devotadas a Santa Maria, cumprindo assim a jura feita.

E diz-se que em certas noites se continuam a escutar murmúrios de vozes humanas, no meio das águas do rio.

Murmúrios apaixonados.
Murmúrios de amor

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Essa lenda faz parte do compêndio de Matheus Martins de Almeida e Miranda e já foi contada em praça pública pelo próprio.

A Lenda de Alcobaça  

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Alcoa acabara de amanhar a pequena parcela de terra, que lhe coubera em herança. O Sol, numa fraqueza de agonia, desaparecia na linha do horizonte. E o rapaz, braços fortes de quem trabalha rosto sadio, foi com a pressa de um apaixonado até a pequena barraca onde vivia a jovem dos seus cuidados. Ao vê-la, o seu rosto iluminou-se, como se aquele sombrio ocaso fosse a mais linda manhã de Maio. Ela correu para ele. O rapaz acariciou-lhe os cabelos.
- Meu amor! Se este ano tiver sorte, em breve estaremos casados.
A rapariga encostou a cabeça no peito do noivo, murmurando enleada:
- Quem me der, meu querido, quem me dera! Tenho tanto medo do futuro.
Surpreendido, Alcoa obrigou-a a olhá-lo, levantando com uma das mãos o queixo bem recortado da sua linda noiva.
- Tens medo de quê? Não contas com os meus braços fortes, com o meu espírito de lutador? Estou habituado a amanhar a terra. Conheço todos os segredos da Natureza.
Ela sorriu-lhe.
- Eu sei, mas enquanto não me vir junto de ti , dentro da nossa casa... compreendes... vivo cheia de temor pelo que nos possa acontecer.
- Que hei-de dizer-te, Baça? Afasta esses pressentimentos! Ajude-me o tempo nas colheitas que estão para vir, e tu verás!
Deram as mãos com calor. Juras eternas voltaram a repetir-se. E o sol morria aos poucos, lá ao longe, enquanto os jovens trocavam um beijo de amor.
O tempo das colheitas estava próximo. Havia, porém, muita ansiedade no coração de todos os lavradores daquelas terras, para os lados de Leiria. E numa noite em que a ventania zunia lá fora, alguém bateu fortemente á porta da cabana do jovem Alcoa.
Assim que abriu a porta, uma rajada de vento entrou, quase o derrubando. Num impulso de coragem, Alcoa fechou a porta. Então, dentro da casa, o vento girou num rodopio e, de súbito, transformou-se numa figura estranha que sorria, fitando os olhos pasmados do jovem aldeão. Ouviu-se uma gargalhada e o desconhecido falou:
- Não te amedrontes, não venho fazer-te mal. Quero apenas propor-te um negócio. Se estiveres de acordo comigo, dar-te-ei a possibilidade de conseguires colheitas maravilhosas, e poderás casar ainda este ano, como é teu desejo.
Alcoa arregalou os olhos, num espanto sincero.
- Mas como sabe o senhor que eu estou para casar?
Outra risada, ainda mais insistente, deixou um frio na alma do jovem Alcoa. Mas já o visitante respondia:
- Eu sei tudo, meu rapaz... Eu sei tudo! E só pretendo uma troca, uma simples troca. Eu dou-te a garantia da melhor colheita de todos os tempos e tu assinas um documento no qual me concedes toda a tua terra. Estabeleces um pacto comigo, tu dás-me apenas a tua terra, que se tornará maior e melhor e eu dou-te a certeza de poderes casar e ser feliz. Com o rendimento da própria terra terás riqueza e poder. Serás mais forte que os ricos e mais temido que os poderosos.

Sugerido por Zdzlau_de para o Jornal de Leiria
Continua...
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Essa lenda faz parte do compêndio de Matheus Martins de Almeida e Miranda e já foi contada em praça pública pelo próprio.

A Lenda do Lago Mágico de Leiria (PARTE 2)  

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 (continuação...)

Viram a princesa correr. Correu até mais não poder, e só parou quando chegou ao seu lugar preferido, o bonito vale que lhe servia de conselheiro. Aí ajoelhou-se e, pela primeira vez desde que recebera a notícia, chorou. Chorou toda a tristeza que lhe ia na alma. Chorou toda a dor calada durante os dias anteriores. Chorou toda a beleza perdida para sempre dentro de si. Chorou o amor que não viria mais a sentir. Chorou durante todo o dia e toda a noite. Chorou até adormecer exausta.

Nessa noite a princesa sonhou que o seu amado viera confortá-la. Que estava do outro lado do vale à sua espera. Acordou ainda antes do romper da aurora, convicta de que o seu sonho era real. Levantou-se e correu em frente, para atravessar o vale e encontrar aquele cujo regresso tanto desejava.

Ao correr sentiu os pés molhados, talvez pela humidade da manhã. Logo de seguida as pernas, os joelhos, o tronco. A princesa percebeu que onde antes estivera um vale havia agora um lago. Um lago nascido das suas lágrimas.

A princesa não deixou que isso a travasse, e nadou até à outra margem. Aí, exactamente onde sabia que o encontraria, viu o seu príncipe que jazia ferido no chão. Não estava morto, como por engano a tinham feito acreditar. Estava cansado, um pouco ferido, mas bem. O príncipe, ouvindo um ruído, acordou para ver à sua frente a mulher que amava, ainda molhada do lago que acabara de atravessar. Abraçaram-se ambos e prometeram nunca mais se deixar.

Os dois casaram, e reza a lenda que foram muito felizes, vivendo uma longa vida de paz e amor lado a lado. Servindo de exemplo de harmonia e bondade para todo o povo.

Quanto ao lago, continua ali, bonito, imponente, junto à cidade de Leiria. Os leirienses dizem-no mágico. É um símbolo de desejos realizados e de amores indestrutíveis. Sabem que ao banhar-se nas suas águas encontram uma magia inexplicável. Algo que lhes muda as vidas e que só poderia ter vindo de todo o amor e bondade da antiga princesa.

Ainda hoje os leirienses procuram o lago em momentos especiais. Às vezes para desabafar as suas mágoas, ou mesmo para que as suas lágrimas se juntem às da princesa. Outras vezes para pedirem que a pessoa amada regresse. Diz-se que ao banhar-se nas águas do lago uma pessoa encontra mais facilmente o amor da sua vida. E diz-se ainda que uma jura sincera de amor feita junto ao lago, resulta num amor que ninguém poderá quebrar.


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Esta história é uma recolha de Matheus Martins de Almeida e Miranda, baseada nas lendas de Leiria, contadas pelos habitantes. Foi inspirada pelas conversas com os locais, principalmente as Damas Vst e Sbcruglio, e é uma homenagem à cidade de Leiria.

Cantinho do Poeta  

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Eu e Eu Mesma

Eu sou eu, e pronto.
Uma incognita de futuro incerto
Um vinho que nunca foi aberto
Uma bruxa de historia infantil

Eu sou quatro e apenas uma
Uma estrela de lampada queimada
Um dos sóis que nunca brilha
Uma vida quase, quase esquecida

Sou aquela que procura
E, que procurando, nao acha saída
Eu sou eu, e pronto
Acima de qualquer ferida

Sou uma incognita e até um pecado
Personagem de desenho ingrato
Posso viver na mitologia
E derramar sangue e lágrimas de tristeza e alegria

Eu sou eu mesma,
e tudo o que posso ser, sai daqui
Dessa mente pequena e doentia

Sucubus Monte Cristo Martins de Almeida e Miranda
Santarém, 5 de Setembro de 1458

A Dama Sucubus vive em Montemor, é filha de Mayara Luna de Almeida e Miranda E Zatarra Monte Cristo. Seus textos podem ser encontrados na praça pública onde estão publicados em um compêndio chamado "O Livro da Sombras".

Por Puck, para o Jornal de Leiria

A Lenda do Lago Mágico de Leiria (PARTE 1)  

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(Escrita em Dezembro de 1457)

Há muitos muitos anos, no local onde hoje se ergue a cidade de Leiria, viveu uma princesa, conhecida de todos pela sua bondade e sensibilidade. Toda a sua vida a princesa conhecera a felicidade. Tivera uma infância e adolescência alegres, sem que nada nunca lhe faltasse. Desde a família até ao seu povo todos a amavam e lhe queriam bem.

Quando completou dezoito anos, perante a ideia de casar, a princesa disse aos seus pais que casaria sim, mas só quando encontrasse aquele com quem sentisse a união e harmonia que desejava. Os pais garantiram-lhe que só a casariam com quem ela quisesse.

Por essas alturas lutava-se uma guerra a sul, e muitos princípes vinham de longe, com os seus exércitos a caminho de aventuras. Toda essa agitação, colorido e entusiasmo fascinavam a princesa. Foi numa dessas vezes, em que a princesa observava os preparativos militares, que notou um jovem príncipe muito elegante que logo começou a conversar com ela.

Não foi preciso muito para que os dois sentissem necessidade de passar juntos todo o tempo que podiam, conversando e passeando. Caminhavam pelos arredores do palácio, contando tudo sobre as suas vidas, e a princesa mostrava todos os locais que eram importantes para si. Em especial o seu vale preferido, onde sempre corria nos momentos de tristeza, quando queria estar mais perto de si própria. Foi lá que deram o primeiro beijo e que pela primeira vez declararam o seu amor um pelo outro.

Mas cedo chegou o dia em que o exército partiu para a guerra. A despedida dos dois apaixonados foi o momento mais triste até aí vivido pela princesa. Sentiu como se parte de si fosse também com o seu príncipe. Como se ficasse vazia. Como se tivesse já envelhecido sem ele.

A partir desse momento os dias da princesa foram vividos sem alegria. A ansiedade por notícias do seu amado consumia-a. Todos notavam a diferença. Sem o sorriso e o constante brilho da princesa toda a terra parecia mais pobre. Mas após algumas semanas, a fatídica notícia chegou. Homens feridos regressados do combate contaram como o exército do príncipe tinha sido derrotado, e ele se contava entre os muitos mortos.

Foi mais do que a princesa conseguia suportar. Correu para casa, fechou-se no seu quarto, e durante dias ninguém conseguiu falar com ela, nem os pais, nem os irmãos, nem as criadas em quem mais confiava. Deixou-se ficar, impávida, como que definhando por dentro.

Um dia, para surpresa de todos, a princesa levantou-se do seu leito, atravessou o palácio, e saiu. Ninguém a tentou parar, pois todos sabiam da sua dor, e sabiam que algo de importante estava para acontecer. Em reverência, olharam-na e seguiram-na à distância.



(continua...)



(Esta história é uma recolha de Matheus Martins de Almeida e Miranda, baseada nas lendas de Leiria, contadas pelos habitantes. Foi inspirada pelas conversas com os locais, principalmente as Damas Vst e Sbcruglio, e é uma homenagem à cidade de Leiria.)

Cantinho do Poeta  

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Nossa equipe vasculhou as praças do reino atrás de obras... Hoje publicaremos essa:



Já fui flecha do amor,
Que tantas magoas causou.
Já fui o cantar de uma
tuna,
Que a alguns encantou.

Já fui um velho de Lisboa,
Que
refilava por refilar.
Já fui um guerreiro amaldiçoado,
Que só se queria
matar.

Já fui um jogral saltitão,
Que o teatro apresentou.

fui um trovador simpático,
Que em versos para vós cantou.

Já fui
garrafas perdidas,
Que ninguém quis pegar.
Já fui um bruto sem tino,
Que acabou por não chatear.

Já fui por alguns esquecido,
Já fui
por alguns odiado.
Já andei tantas vezes perdido,
E desta não quero ser
encontrado.

Já fui tudo isto mas nada mais,
E por fazerem de mim o
que não sou,
Dou meus versos por terminados,
Minha vida de poeta acabou.

M.Mac


Dom Mightymacky é habitante da longínqua Alcácer do Sal. Última povoação ao Sul de Portugal. Tem fama pelas praças portuguesas de ser grande poeta e anda a despedir-se da poesia em praça pública [ooc - forum1].


Por Puck

Taverna Cheia! Saúde!  

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Descubra as diferenças!!!

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